sábado, 30 de agosto de 2025

O Boi Pintadinho

 

      O Boi-Pintadinho

 

levanta meu boi levanta

que é hora de viajar

acorda boi, povo todo

povo e boi tem que lutar

 

levanta meu boi mineio

pintadinho e brasileiro

ninguém quer que o ferro em brasa

entre vivo sem seu traseiro

boi-animal de minha casa

mugindo em berro e desespero

 

levanta meu boi levanta

 

levanta meu boi menino

de poucos anos de história

tua carne não foi santa

nem santa a carne será

cataram teu ouro todo

e secarão teu paraná

 

levanta meu boi levanta

 

levanta que é tempo ainda

boi do frevo de Olinda

pois as tardes que eram mansas

estão caiadas de suor

mas teu passo é uma dança

vem traze coisa melhor

 

Fragmento do livro O Boi-Pintadinho de Artur Gomes, musicado por Paulo Ciranda – música vencedora do Festival de Miracema em 1981 – posteriormente

Cantamos na TVE-Rio e em 1982 Ciranda cantou O Boi-Pintadinho no programa Som Brasil pilotado por Rolando Boldrin na TV Globo.

 

O livro O Boi-Pintadinho, foi lançado em 1980com prefácio de Osório Peixoto Silva e imediatamente o transformei em Auto para  Teatro Popular de Rua. Na primeira versão ainda em 1980, tínhamos no elenco, personas do teatro popular de Campos dos Goytacazes-RJ, como Amauri Joviano(dançarino), Pavuna, Verton, Ferrugem, Guilherme Leite, Gina Ruelles e Rosinha (Garotinho). A orquestra do Boi, era formada por estudantes da ETFC(Escola Técnica Federal de Campos), integrantes da Banda Marcial Olímpio Chagas.

Em 1981 passaram a integrar o elenco alunos da Oficina de Teatro, que  dirigi de 1975 a 2002. Houve um período nessa época, que o meu parceiro Paulo Ciranda, morou em São Paulo, no apartamento do seu irmão Zilmar Araújo, que era técnico de gravação da gravadora Continental.

Nas minhas idas e vindas a São Paulo conheci um grupo de Teatro que encenava na época o espetáculo teatral Bumba-Meu-Queixada, veja no link abaixo:

file:///C:/Users/artur/Pictures/jornal-olho-vivo-nc.pdf  - esse espetáculo me deixou criado dentro de sindicato de metalúrgicos, me deixou por 7 anos, refletindo o que fazer com o meu Boi-Pintadinho.

E em 1987 criamos a Ciranda do Boi Cósmico, um boi vestido de poesia, criado por Marcos Guimarães Maciel, professor do Laboratório de Eletro da então ETFC. Por ser um boi-eletrônico só encenávamos com ele pelas ruas de Campos em horário noturnos, porque seus olhos, duas lâmpadas movidas por uma bateria de 6 volts, piscavam de acordo com os seus movimentos.

Em 2023 na minha última passagem pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, dentro do Curso de Teatro de Rua, que criamos em parceria com Lucia Talabi, criamos o Auto do Boi Macutraia, misturando fragmentos de Macunaíma com o lendário Bracutaia da praia de Gargaú em São Francisco do Itabapoana-RJ. Todas as encenações que fizemos na rua, tiveram a participação de integrantes do núcleo de Teatro Letras Em Movimento, coordenado por Guilherme Freitas.  


O meu boi pernambuc

ano

dos cordéis dos Garanhuns

cada verso em teus açoites

rasga os panos dos nenhuns

com as espadas de São Jorge

        com as rezas dos Oguns  

 

o meu boi é brasileiro

êta boi cabra concreto

se um dia passa fome

noutros dia nós come

             o campos neto

 

o meu boi é veranista

o meu boi é macutraia

misturamos Macunaíma

com o lendário bracutaia

 

ê meu boi da paraíba

mesmo fosse alagoano

nosso Brasil é soberano

e não vamos nos render

pra esse tal de trump americano.

 

Artur Gomes

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